segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SENEGALESES

Continuando a minha ronda pelas nacionalidades, aqui fica mais uma história made in Aeroporto da Portela;
Na ultima sexta feira a minha colega esteve de folga, logo, estive sozinha.
A primeira venda do dia foi um billhete da Air France, Lisboa - Paris -Turin. Vendi a uma senhora de idade senegalesa, vestida etnicamente, com vestido e turbante amarelo às flores pretas, sendo ela mesma, preta retinta. Acontece que esta senhora estava acompanhada de um batalhão de gente, uns pretos outros brancos. Quem conversou comigo o tempo todo foi uma outra senhora branca, com pronuncia estrangeira. Estavam todos preocupados com a senegalesa pois iria ter que fazer escala em Paris e tinham medo que se perdesse. Achei estanhao pois os senegaleses falam francês. Depois do bilhete pago e emitido a mulher branca perguntou se podia ali deixar a preta. Eu respondi que sim, claro. Eram 10 da manhã o vôo dela saía às 15h00. Como sempre faço para evitar enganos, li o bilhete à senhora; hora de saída, de chegada, escala, tudo. Foi aí que me dei conta que ela não falava quase nada de francês. Falava um dialeto qualquer senegalês. Aí vi que estava enrascada. Saí do balcão, sentei a mulher numa cadeira e fui ao balcão da Air France ver como me podiam ajudar com uma criatura de turbante, que não fala francês, nem inglês e muito menos português. Aconselharam-me a pedir uma cadeira de rodas pois neste caso,seria a unica forma da mulher ter assistência em todos os aeroportos até ao avião.
Quando voltei ao balcão, a mulher tinha desaparecido. Só vi a mala dela. Olhei à volta e dei com a figurinha a querer entrar para o check inn. Tinha ouvido falar em Air France nos altifalantes e achou que era o vôo dela. Oh céus! Sentei a velha na cadeira novamente e expliquei-lhe, por gestos, que o vôo dela era só as 15h00. Ela olhou p mim, apontou para o estomago e disse "de l'eau, manger". Fonix deixaram-me a velha sem comida e sem dinheiro! Entrei no meu balcão, dei-lhe a minha água e uns bolos que tinha trazido de casa. Ali ficou ela a comer e a lhar para mim como se o mundo dela se reduzisse à minha pessoa. Muito preta, de turbante amarelo.
Sentei-me no computador, pedi a cadeira de rodas e liguei para a policia para me virem buscar a velha e a guardarem até ao embarque. Chegou a policia. O policia pegou na mala dela, olhou para ela e disse para ir com ele. Ela olhou para mim com cara de ponto de interrogação e eu fiz que sim com a cabeça. Mais tarde chegou o rapaz com a cadeira de rodas. Foi à esquadra e levou-a com ele para um café.
Pensei que os meus problemas tinham acabado. Perto do meio dia estava eu a atender um cliente, aparece-me ela. Em frente ao meu balcão, simulou o acto de se sentar na sanita. Queria-me dizer que precisava de ira à casa de banho. Entreguei-a a uma rapariga do aeroporto que passava, para lhe indicar o caminho.
Oh meu Deus! Há gente muito má! Quem se lembra de deixar uma criatura que só fala um dialecto africano, com alguém que nunca viram? E se eu fosse uma péssima pessoa que me estivesse a borrifar para a mulher? Francamente!

4 comentários:

Andreia do Flautim disse...

LLOOLL, eu parti-me a rir com essa situação!

Mas já viste, deixarem ali a mulher assim!!

Ana Sousa disse...

Bom dia,

Recebi um convite para este blog... mas não estou mesmo a ver quem és....

Terá sido por engano?

Ana Sousa disse...

(de qualquer das formas, gosto do bolo! :p)

Profundo Olhar disse...

Na vida há cada história.Obrigada pela visita.

Um beijo