sexta-feira, 17 de outubro de 2008

VÁ PÓ C.....

Na segunda feira passada o meu chefe disse-me: vou precisar da tua ajuda na quinta, sexta e sábado da próxima semana, vou estar fora. Queria ele dizer que precisava que eu viesse para a sede. Era para trabalhar este fim de semana no aeroporto e tirar folga na quarta e quinta para ir ao médico com o meu puto mais novo. Falei com a minha colega, arranjei maneira do meu marido ir ao médico com o puto e pronto, o boss estava livre para tratar dos seus negócios. Na terça feira fui ao Amadeus ( sistema de reservas das agências de viagens) ver se a minha colega da noite tinha emitido bilhetes para eu fazer o relatório. Heis que me deparo com o nome do meu boss num bilhete emitido. E para onde? Budapeste. Nem mais nem menos que a cidade onde se encontra a sua nova conquista. Uma tal que ele me pediu ajuda para confirmar uma lista de espera. A "amiga" para quem eu aluguei um carro a preço low cost! Fonix! Deixei eu de acompanhar o meu babe à consulta do seu primeiro ano de vida, por causa da hormonas do meu chefe. Para ele ir a Budapest esvasiá-los. Pelos vistos a boazuda da mulher já deixou de cumprir as obrigações matrimoniais.
E agora, na sede:
- Alô! Fala Russo?
- Não
- Fala Moldavo?
- Não
- Então vá po c_ _ _ _ _ o! - E desliga o telefone!
Pronto! É assim que eu sou tratada aqui pelos Dimitris. Já me disseram: - F...dasse! e desligam o telefone! Também há os mais softs: Oh pá escurpa lá- e desligam.
Eles falam bem português quando querem!
Ligou hoje de manhã o boss, de Budapeste. Claro que não dei a ver que sabia onde ele estava.
- Olá, tudo bem? As vendas?
- As vendas? A A. tem vendido muito bem. A mim já me mandaram para o dito cujo e desligaram-me o telefone.
- Mandaram-te para onde?
- Para o dito cujo, não vai querer que eu lhe diga com todas as letras para onde me mandaram, não?
- Não, não. Não faço questão. Mal educados!
E pronto. Já me tinha esquecido como é linda a vida no Reino da Moldavia.
É sempre bom lembrar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

THE AMERICAN DREAM - A QUEDA DE UM MITO

Estive agora mesmo a ler o blog da Andreia do Flautim e ela tem razão. Há muita gente invejosa neste mundo.
Lembrei-me de um caso passado comigo há uns 12 anos atrás quando eu ainda era uma criatura nova e inconsequente e morava naquele magnifico bairro de chelas. Tinha uma vizinha de cima que estava havia 10 anos emigrada nos Estados Unidos. Quando ela emigrou tinha 13 anos e eramos muito amigas. Quando voltou passados esses 10 anos fiquei contente. Vinha de férias por 3 meses. Foi uma altura má da minha vida. Tive uma grande depressão. Sentia-me sozinha, triste. Tinha saído de uma relação que me tinha deixado de rastos. Fiquei contente com a companhia dela. Pensei que podia confiar. Ela estava gordissima. Pensava 150 kg. Tinha uma cara linda. Era uma pena ser tão gorda. Eu, com a depressão que estava, nem comia. Pesava 45kg. Era um palito.
A Lena (era assim o nome dela) tinha-se transformado na tipica americana hipócrita. Não dizia um palavrão. Odiava a nossa liberdade de expressão e, sobretudo, queria-se manter virgem até ao casamento. O que diga-se de passagem, com 150kg, não devia ser dificil.
Foi uma fase em que saltei de relação em relação, parecia que nada dava certo na minha vida. Então um dia, não sei que lhe deu, resolveu escrever uma espécie de artigo de jornal com todas as confidências que eu lhe tinha feito. Nunca fui nenhuma santa mas tentava fazer com que os meus pais soubessem o menos possivel da minha vida pois são muito tradicionais. Para quê desiludilos? Há 12 anos atrás ainda existiam pais pré 25 Abril como aqueles da série conta-me como foi.
Ora bem, ela escreveu a porcaria do artigo e mostrou aos meus pais. E a seguir foi entregar a todos os meus vizinhos. O que ela não contava era que grande parte deles se estivesse completamente a borrifar para o que eu fazia da minha vida. Uns não quizeram aceitar dizendo que não tinham nada a ver com isso. Os que aceitaram nem devem ter lido. Ou se leram, nem cheguei a saber. É que no 4 andar moravam uns pretos muito meus amigos mas com pouca queda para a leitura, no segundo andar uma velha cusca que de certeza que leu, ao lado uma mulher com um filho toxicodependente que anunciava aos 7 ventos que desde que o marido morrera, o vibrador era o seu melhor amigo. No primeiro andar moravam uns ciganos que nem ler sabiam e ao lado pessoas com mau feitio que lhe devem ter fechado a porta na cara. No r/c, não quizeram saber. A minha sorte e o azar dela, é que sempre tratei todos os meus vizinhos com respeito e eles nunca tiveram nada a dizer de mim. Portanto só mesmo ela e a vaca da minha vizinha do lado, que tudo fez para me desgraçar a vida, é que acharam interessante a dita carta.
Eu também a li. Escrita à mão por ela, sem um unico erro. Só pode ter sido a cachorra louca da vaca do lado que a ajudou. Dizia especificamente o numero de namorados que eu tinha tido, com quantos pinei, as pessoas com que saí, enfim, tudo. A frase mais usada era "ela faz o que quer!" Devia ser isso que a deixava louca. É que eu fazia mesmo o que queria. Saía com os meus amigos, passava fins de semana fora, enfim, tudo o que ela não fazia porque os pais eram daqueles mesmo torcidos que nunca a deixaram sequer estar à janela se soubessem que havia homens na rua.

Os meus pais não fizeram nenhum comentário. Apenas disseram que eu não devia confiar tanto nas pessoas. Fiquei muito triste.Tive uma recaída. Afinal nem numa amiga podia confiar.
A partir do dia em que ela mesma se sentiu humilhada pela situação que me criou, tive que levar com o Marco Paulo e seus semelhantes aos gritos todas as manhãs incluindo sabados e domingos.
Era a vingança!
Passados estes anos todos fiquei a saber, há pouco tempo, que ela tem uma filha. Engravidou mas o gajo não quis ficar com ela.
É a queda de um mito.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

SENEGALESES

Continuando a minha ronda pelas nacionalidades, aqui fica mais uma história made in Aeroporto da Portela;
Na ultima sexta feira a minha colega esteve de folga, logo, estive sozinha.
A primeira venda do dia foi um billhete da Air France, Lisboa - Paris -Turin. Vendi a uma senhora de idade senegalesa, vestida etnicamente, com vestido e turbante amarelo às flores pretas, sendo ela mesma, preta retinta. Acontece que esta senhora estava acompanhada de um batalhão de gente, uns pretos outros brancos. Quem conversou comigo o tempo todo foi uma outra senhora branca, com pronuncia estrangeira. Estavam todos preocupados com a senegalesa pois iria ter que fazer escala em Paris e tinham medo que se perdesse. Achei estanhao pois os senegaleses falam francês. Depois do bilhete pago e emitido a mulher branca perguntou se podia ali deixar a preta. Eu respondi que sim, claro. Eram 10 da manhã o vôo dela saía às 15h00. Como sempre faço para evitar enganos, li o bilhete à senhora; hora de saída, de chegada, escala, tudo. Foi aí que me dei conta que ela não falava quase nada de francês. Falava um dialeto qualquer senegalês. Aí vi que estava enrascada. Saí do balcão, sentei a mulher numa cadeira e fui ao balcão da Air France ver como me podiam ajudar com uma criatura de turbante, que não fala francês, nem inglês e muito menos português. Aconselharam-me a pedir uma cadeira de rodas pois neste caso,seria a unica forma da mulher ter assistência em todos os aeroportos até ao avião.
Quando voltei ao balcão, a mulher tinha desaparecido. Só vi a mala dela. Olhei à volta e dei com a figurinha a querer entrar para o check inn. Tinha ouvido falar em Air France nos altifalantes e achou que era o vôo dela. Oh céus! Sentei a velha na cadeira novamente e expliquei-lhe, por gestos, que o vôo dela era só as 15h00. Ela olhou p mim, apontou para o estomago e disse "de l'eau, manger". Fonix deixaram-me a velha sem comida e sem dinheiro! Entrei no meu balcão, dei-lhe a minha água e uns bolos que tinha trazido de casa. Ali ficou ela a comer e a lhar para mim como se o mundo dela se reduzisse à minha pessoa. Muito preta, de turbante amarelo.
Sentei-me no computador, pedi a cadeira de rodas e liguei para a policia para me virem buscar a velha e a guardarem até ao embarque. Chegou a policia. O policia pegou na mala dela, olhou para ela e disse para ir com ele. Ela olhou para mim com cara de ponto de interrogação e eu fiz que sim com a cabeça. Mais tarde chegou o rapaz com a cadeira de rodas. Foi à esquadra e levou-a com ele para um café.
Pensei que os meus problemas tinham acabado. Perto do meio dia estava eu a atender um cliente, aparece-me ela. Em frente ao meu balcão, simulou o acto de se sentar na sanita. Queria-me dizer que precisava de ira à casa de banho. Entreguei-a a uma rapariga do aeroporto que passava, para lhe indicar o caminho.
Oh meu Deus! Há gente muito má! Quem se lembra de deixar uma criatura que só fala um dialecto africano, com alguém que nunca viram? E se eu fosse uma péssima pessoa que me estivesse a borrifar para a mulher? Francamente!