sexta-feira, 21 de novembro de 2008

MARIA, E O CASO DO FRANCIÚ GAY

Quando trabalhava na empresa que referi no post anterior, fazia parte da minha equipa de reservas uma senhora já com 50 anos chamada Maria. Era muito divertida, tinha o cabelo todo branco e revolto, fazia-me lembrar um pouco aquela bruxa dos livros do Patinhas, a Maga Mim.
A Maria tinha muita experiência em viagens, mas muito pouca paciência. Durante anos, tinha trabalhado numa estação de televisão, como agente de viagens e isso tinha-lhe dado cabo dos nervos.
Ora bem, nessa altura trabalhávamos com uma empresa de engenharia na qual existiam alguns clientes, digamos...dificeis. Um deles era um senhor chamado Guillaume, um franciú que tinha a mania que conseguia com as companhias aéreas, tudo o que a nós, agência, nos era proibido. A secretária dele era vizinha da Maria e tinha-lhe dito há um tempo atrás que este senhor era do pior, tirava-a do sério e pegava de marcha atrás. Um dia, a Maria estava a tratar-lhe de uma viagem a França, a uma cidadezinha lá nos confins e a coisa estava complicada. Eu e a Maria trabalhávamos lado a lado e ela estava possessa. Já dava murros na secretária, já gritava, já dizia o indizivel, enfim, estava prestes a ter um ataque. Nós usávamos aqueles auscultadores tipo call center, que se põem na cabeça. A certa altura passa-se o seguinte diálogo entre a Maria e eu;
Maria - Olha, a Dina agora pôs-me em espera e foi falar com o homem ( Guillaume)
Eu - Tá-te a dar música? Pode ser que te acalme.
Maria -Qual musica! Não oiço nada. Já tou tão farta! Já não posso ouvir o nome deste homem! Paneleiro de merda! Se um dia tenho o azar de o encontrar numa encruzilhada à noite, enfio-lhe um pau pelo cu adentro que ele até vê estrelas. Oh raios parta o homem! ....dasse!
Eu -Pode ser que ele goste de levar com pau! Se calhar anda com falta, coitado. -Disse eu a rir que nem uma perdida. O ar dela era demais. Vermelha que nem um pimentão, de cabelo branco pelos ares, parecia mesmo a Maga Mim, prestes a levantar vôo na vassoura. O computador era o seu caldeirão. As teclas do desgraçado eram fustigadas com os murros furiosos da Maria, enquanto ela se espumava de raiva e desespero! Os papeis voavam à sua volta. Só faltava o gato preto para o cenário ser idilico.
A dada altura recebo uma chamada. Tive que acalmar o riso. Era Dina a secretária do homem.
Dina - Oh C. com quem é que a Maria estava a a falar agora mesmo?
Eu - Comigo, porquê Dina?
Dina -É que quando pus a Maria em espera, enganei-me e passei a chamada ao Guillaume. Ele ouviu TUDO o que a Maria disse.
Beeeeeemmmmmmmm. Fiquei para morrer! Fiquei de tal maneira vermelha e dei um "MEU DEUS!" ,tão grande que veio tudo da agência ter comigo. O nosso chefe, ficou para morrer. O nosso director ( o gay ) só dizia " São umas putas estas secretárias, são umas putas! Vejam bem! Nem utilizar um telefone sabem! O que elas precisam é de fricção de peito de homem, é o que elas precisam."
Resultado final:
- Como estávamos na altura do carnaval e o Guillaume era uma peste na empresa onde trabalhava, a coisa foi relevada e a agência não sofreu represálias. Penso que toda a gente na empresa dele gostaria de o empaular.
- Desde esse dia até ao dia em que a Maria se reformou antecipadamente, o nosso amigo Guillaume não quiz mais ninguém para lhe tratar das viagens a não ser ela. Os pedidos das viagens dele deixaram de ser feitos pela Dina e passaram a ser tratados directamente entre o próprio e a Maria.
Talvez tivesse esperança de um dia a encontrar numa encruzillhada à noite. E, quem sabe, ela cumprir a promessa.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A SALA OVAL

Caros leitores, hoje trago-vos uma estória linda. Nem sei como não vos contei isto há mais tempo!
Trabalhei durante 5 anos numa grande empresa francesa que foi comprada, mais tarde por um banco português e desde aí tem vindo a decair. Nessa empresa, como em todas as empresas ligadas ao turismo e à aviação, existiam muitos gays. Pelo menos 4. Embora só houvesse a certeza em relação a 3. O 4º ficámos todos a saber ao mesmo tempo.
Ora, numa bela segunda feira, ia eu a entrar no edificio, digo "bom dia" ao segurança e ele responde-me "bom dia" , mas com um ar de troça que eu quando entrei no elevador mirei-me de alto a baixo para ver se algo em mim poderia despertar o riso no homem, às 8h45 da manhã. Entrei na empresa e, ao passar pela cafetaria, digo "bom dia". As minha colegas olham para mim e desatam-se a rir. Bem! Já me tava a passar . Perguntei:
- Mas o que é que se passa?
- Ainda não sabes? - Perguntam elas
- Não! Já o seguranca estava com um ar estranho. O que é que se passa?
- Bem, o Carlos do comercial foi apanhado ontem à noite na sala de reuniões a levar na peida.
Fiquei para morrer. Quer dizer, ninguém sabia que ele era gay, mas também ninguém compreendia como se podia ser tão estúpido! O que se passou foi o seguinte: O prédio onde trabalhávamos tinha 7 andares. Os dois últimos eram de habitação e até ao 5º, o nosso, eram escritórios. Acontece que o vizinho do 6º andar ouviu o elevador funcionar e alguém entrar às 2 da manhã de Domingo, no 5º andar. Ligou ao segurança que foi ver o que se passava. Este, assim que entrou, viu a luz da sala de reuniões acesa e foi ver. Deparou-se com o Carlos de calcinha em baixo a ser enrabado por um gajo. Espectáculo lindo de ser ver! Nem queria acreditar! O nosso director, também ele gay, teve que o mandar embora, claro. Ele mesmo achou aquilo decadente. As palavras dele foram " Se quer levar na peida, vá para um hotel. Não entendo! Ele tem casa. Que raio de fantasia é esta?"
Desde essa altura, a sala de reuniões desta agência de viagens, nunca mais se chamou "Sala Reuniões". Passou a chamar-se Sala Oval. De cada vez que lá tínhamos reuniões, e ainda hoje, pensamos sempre qual teria sido a parte da mesa onde o Carlos...enfim, teve mais prazer.
A partir do dia em que o Carlos saiu da empresa até à actualidade, nunca mais desapareceu comida nossa do frigorífico. Estava sempre a desaparecer. Às vezes íamos almoçar, comida que tínhamos lá deixado de um dia para o outro e...cadê ela? Não havia. Vivia-se um clima de desconfiança. Ninguém sabia quem roubava a comida. Um dia até a insulina de uma colega diabética desapareceu!
Parece que o nosso amigo Carlos fazia grandes farras nocturnas na empresa e quando lhe dava a fome ia à nossa comida! Grandes taras!