quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CAPITULO POLICIAL DA MINHA VIDA ( a não perder)

Finalmente depois de muito tempo ausente ( já vão perceber porquê), tomei coragem e passo a relatar os factos que fizeram com que os meus dilectos leitores tenham estado tanto tempo longe das minhas garras.

Tinha férias marcadas de 15 a 22 de Junho. Ia para a Tunisia com a minha familia. O Big Esterco da Moldavia, o grande director geral da minha empresa, tinha estadia marcada em terras lusas precisamente a partir de 13 de Junho. Eu estava feliz pois como ele ia chegar no dia 13 à noite e Domingo eu só trabalhava até às 15h, era pouco provavel que o fosse ver e, como tal, não teria que falar com ele acerca da sua recusa em nos pagar subsidio de ferias. Ora bem. Pensava eu....Sim, porque nesse mesmo domingo à noite ele liga-me a dizer para eu ir ao hotel onde estava hospedado porque precisava de falar comigo. Fonix!!!! Lá fui eu. Depois de me dizer que iamos ter um novo director executivo e que o meu chefe passaria a ser Director comercial, e quando eu achava que a reunião tinha sido pacifica, heis que ele me diz:

Ele - I want to talk to you about the salaries and payed vacations

Eu - I'm sorry sir, I dont think there's anything new to say about this. I dont want to talk about that

Ele- Why? I want to talk about this

Eu- I dont. Because I dont want to get ungry with you

Ele insiste,

- You know, when we dont have money, we cannot pay extras

Eu

- Mr Afanasie, payment for vacation is not an extra. Its our right, and you have money, because we sell a lot at the airport and you have just admited 2 new employees, so that is not a motive and if you dont wanna pay 14 salaries a year you just offer a lower salary and divide it for 14, because in Portugal payment for vacations is a right. Its the law.

E o homem nao disse mais nada, disse que mais tarde falariamos.

Como falámos, sem duvida. Mas em circustancias que vocês não podem imaginar possiveis.

Fui de férias.

Na Tunisia fiquei a saber que a nossa agência não tinha pago os bilhetes por nós vendidos, às companhias aéreas. O chamado BSP. É nada mais nada menos, o que faz com que uma agencia de viagens possa vender o bilhete de uma determinda companhia aérea directamente a um cliente. Semanalmente paga-se ao BSP os bilhetes emitidos e esta espécie de banco paga ás comanhias aéreas.

Pois...eles não pagaram. Pagaram 2 dias atrasados. Isto fez com que a garantia bancária que eles têm aumentasse e, até hoje nunca mais emitiram bilhetes porque o banco não lhes quer dar garantia bancaria.

Quando voltei tive uma semana a insitir com o Afanasie ( o Esterco da Moldavia) para que ele nos ajudasse. Sem sucesso.

No dia 2 de Junho recebo uma chamada telefónica da minha colega Aliona a dizer que não tinha entrado na conta da agencia 2000 eur que eu tinha depositado no dia 12 de Junho.

Ora bem, aqui começava o filme ;

Na semana dos feriados de Junho, trabalhei toda a semana. Dia 8, segunda feira fiz um depósito no cofre nocturmo. Dia 9 já não consegui fazer, pois como era véspera de feriado o cofre entupiu e não pude depositar os 2000 eur que fiz nesse dia. O envelope ficou no escritório do aeroporto. Não tinha cofre, portanto ficou no armario. Dia 10 foi feriado, não vendi nada. Dia 11, também foi feriado, mas vendi. O envelope com o guito ficou no escritorio pois o banco estava fechado e o cofre nocturno, cheio. Não quis levar o guito para casa com medo de o perder ou ser assaltada no caminho até ao carro.

Dia 12 de Junho foi sexta feira. Cheguei ao escritório, abri a porta, peguei nos 2 envelopes, um deles o dos 2000 euros, e fui directamente ao banco. O cofre nocturmo já estava activo e como estava muita gente ao balcão, optei por depositar lá. Lembro-me que estava aflitinha para ir à casa de banho mas queria, antes livrar-me do dinheiro. O cofre nocturno funciona da seguinte forma:

Temos 1 talão com 2 cópias. Escrevemos o valor e a data e tiramos uma fotocópia com a qual ficamos. As duas cópias são introduzidas dentro do envelope. São posteriormente autenticadas pelo banco e uma delas é-nos devolvida. Ou seja, eu só fiquei com a fotocópia do talão de deposito sem ser autenticada pelo banco. Mas para mim, uma instituição bancária, estava, até à altura, fora de qualquer suspeita. Para mim, um banco era altamente confiável.

O que se passou de seguida não lembra aos deuses. Fui ao banco e nada do dinheiro. Não havia um registo do deposito ter entrado dia 12 de Junho nem nos dias seguintes.

O novo director executivo disse que eu ia ter que pagar os 2000 Euros. Uma quantia que eu não tinha. Então combinei com ele descontar-me no ordenado todos os meses, embora eu tivesse a certeza de ter feito aquele depósito.

Bem, no dia 3 de Junho o director executivo diz-me via skype que nesse mesmo dia ao fim da tarde irá ter comigo para falarmos. E foi. Foi-me dizer que o FDP do Afanasie não me queria mais na agência e que eu ia ser despedida. DESPEDIDA! Eu que dei tudo de mim a esta agência de merda. Que trouxe empresas para trabalharem connosco, que implementei métodos de trabalho.... Fonix!
Pior: fiquei a saber que o cabrão do moldavo nem a carta para o fundo de desemprego me queria dar!

Ora bem caros leitores, se eu realmente tivesse tirado aquele dinheiro, não estaria aqui a escrever. Contratei uma advogada. Queria ir até ao fim neste processo.

Eles que provassem que eu os tinha roubado.

Os dias que se seguiram vão-me ficar para sempre gravados na memória, tipo uma névoa, como se se tivesse tratado de um pesadelo, porque até agora nada disto me parece real. Como já disse aqui, tenho problemas psiquiatricos. Vou-me abaixo com muita facilidade e o que me aconteceu não ajudou em nada. Fiquei mesmo mesmo mal.

Fui um dia ao cabeleireiro do aeroporto e passei para falar com a minha colega Sonia. Estava ela mais o gajo do banco a falar. Passo a citar o que me disse um empregado bancário:

- Eu sei o que se passou e já avisei aqui a Sonia. Estes tipos são perigosos. Ela que tenha cuidado com o dinheiro dela e que se despeça. Eles não são para bricadeiras.

Ora bem!!!!!!!!!!

A vocês pode parecer que estou a inventar uma estória, não me surpreende se pensarem assim. Eu mesma se lesse uma coisa destas num blog vosso iria achar que era tanga. Mas a realidade é que isto se passou mesmo! MESMO!

Não sei bem o que me fizeram. Já me passaram várias coisas pela cabeça;

- Que o Afanasie disse ao meu chefe para ir ao banco dar sumiço num dos meus depósitos de modo a terem motivo para me despedirem. E só pode ter sido o meu chefe Vasco, o casado com a gaja boa, aquele que era muito meu amigo, porque o Afanansie não fala português.

- Que a Sónia se juntou com o gajo do banco e dividiram os dois o deposito de 2000 Eur. A Sonia andava muito amiguinha do Ricardo do banco. Ele não é flor que se cheire. Chegava a levar depósitos para casa e ia lá nas folgas faze-los. E nem me ia visitar à agencia.

- Que o Vitalie, o novo director geral, armou tudo isto para me mandar embora e por lá o amiguito dele no meu lugar. O gajo entrou logo 15 dias depois de eu ter saido. E o Vitalie era representante da Krazair antes dela falir.Conhece toda a gente no aeroporto. O Afanasie pode ter-lhe dito que eu era "incómoda" e ele juntou o util ao agradavel; livou-se de mim e deu emprego ao amigo.

Pois é... não sei bem o que me fizeram, mas uma coisa tenho a certeza: o banco está enterrado até à medula nisto.

E pior; não posso fazer nada. Quem sou eu contra um banco?

A minha advogada conseguiu que me dessem a carta para o subsidio de desemprego. Ficaram-me com 2000 eur que dizem que eu roubei ou perdi. Mas livrei-me deles. A própria da minha advogada disse-me que era bom livrar-me deles rápidamente e sem dôr pois os moldavos são a pior raça que cá temos de emigrantes. Piores que os russos e ucranianos. A verdadeira máfia vem da Moldavia.


Agora já consigo falar nisto com uma certa leveza. Mas ainda me pesa na alma tudo o que dei de mim aquela empresa.

Livrei-me deles, mas nunca vou esquecer.

TO BE CONTINUED...


4 comentários:

Maldonado disse...

Realmente é uma história levada da breca! :-o
Dados os contornos, parece que houve um conluio entre o banco e agência. Acho que isso dá direito a investigação da PJ, não?
Nunca pensei que as empresas do pessoal do Leste tivessem esses problemas... :S

morski pas disse...

Manda-os Fo***.
E não são apenas essas empresas, em Portugal grande parte das empresas já estão a enveredar pelos mesmos caminhos.
Corruptos, a entrar na via da escravatura e chulice aos empregados...
Estamos a ficar uns vendidos de merda dada a situação em que o nosso governo nos meteu!
Boa sorte paar um próximo emprego!!!!

anaaaatchim! disse...

É simplesmente inacreditável que uma bomba caia assim na vida de uma pessoa... lamento imenso por ti. Ao menos podia ser daquelas coisas que só acontecem aos outros =(
Um grande abraço, e força!!

provocação disse...

Gata, acredita que eu tb andei sempre com grandes quantias da empresa para depósitos e nunca por uma única vez enfiei o dinheiro sem ser em mão aos bancários. É que assim estou eu e ele e há um comprovativo que me é entregue, não é como um depósito em que não vejo o dinheiro a ser contado, não sei quem conta e nem tenho que confiar e tudo é provisório, era o que faltava, mas o que é uma máquina, entendes??? Agora posso-te dizer que quando uma empresa quer lixar à grande um empregado é precisamente em depósitos e questões de furto que se agarra porque alega sempre quebra de confiança mesmo que não prove nada e dificilmente é obrigada pelo tribunal a aceitar a pessoa de volta entendes? É uma merda o que te aconteceu e é traumático sim, imagino que estejas passada mas aceita um conselho, não te agarres mais a isso para tua própria sanidade mental entendes? Não procures entender ou justificar. Aprende simplesmente e para uma próxima já levas esta bagagem.
É que não são as empresas que fazem as pessoas, são as pessoas que fazem as empresas. Segue a tua vida.