quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

CHELAS WILL ALWAYS BE THERE FOR ME

Tinha eu 13 anos quando conheci a vida efervescente do bairro de Chelas. Eu era tããão inocente com 13 anos! Tve uma infancia muito igual à do Carlinhos daquela série "conta-me como foi" da RTP. Com 13 anos tinha a mentalidade de uma rapariguinha com 10 agora. Para mim os seres humanos eram todos iguais, uns com mais dinheiro que outros.
Achei Chelas muito excitante. Só mais tarde no Colégio Moderno, descobri que há seres humanos superiores a outros. Eu, como morava em Chelas, era inferior a todas as criaturas daquele colégio. E não percebia porquê. No final do ano ja tinha percebido. Por isso pedi para sair de lá.
Mas Chelas nem sempre foi como agora. Antigamente as pessoas que andavam no Liceu D. Dinis, estudavam, passavam de ano, chumbavam. Iam para a universidade, ou não. Transformavam-se em pessoas produtivas para a sociedade. Os meninos que andavam nas escolas primárias aprendiam. Agora isso dificilmente acontece. As mães ficam do lado de fora da escola durante todo o tempo que os meninos estão lá dentro. Não trabalham. Fumam, falam umas com as outras, alto, muito alto.
Quando se pergunta a esses meninos o que querem ser quando crescerem eles respondem:
- Como o meu pai.
- E o que faz o teu pai?
- Nada. Mas tem dinheiro. Quero ser como ele.
Ora pois lá está! O rendimento minimo garantido faz milagres. E o trafico de droga também!Para quê querer mais quando a vida pode ser tão simples?
É assim Chelas. E só tem tendência a piorar. Quando morrerem todas as pessoas que vieram da provincia para Lisboa, a quem foram dadas casas de habitação social e ficarem só os renegados da sociedade e os que não querem evoluir....não sei se será muito diferente da Cova da Moura.
Os meus amigos de adolescência deixaram os pais em Chelas e seguiram as suas vidas tal como eu. Os que eram agarrados ao cavalo e à coca, morreram. Só ficaram os parasitas da sociedade. Alguns com familiares bem famosos!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O QUE NÃO NOS MATA TORNA-NOS MAIS FORTES

Já dizem os ingleses - isto sem dúvida soa melhor em inglês - What doesn't kill you, makes you stronger.
Há 4, 5 anos atrás eu era uma pessoa muito diferente do que sou agora. Tinha um blog onde escrevia. Acabei de lá ir e, sinceramente, não me reconheço no que escrevinhava!
Há 5 anos decidi que me queria separar do meu ex marido. Não era feliz. Nós eramos muito diferentes. Não foi uma decisão fácil. Tinhamos uma casa nova, uma filha com 2 anos, enfim, uma vida construida durante 4 anos. As nossas diferenças maiores acentavam no campo financeiro. Eu sempre fui muito poupadinha, gosto de ter o meu pé de meia para os dias dificeis. Ele vive um dia de cada vez. Tudo o que tem, gasta, seja muito, seja pouco. Aliás, nessa altura descobri que até o dinheiro dos meus pais ele já andava a gastar. Eram saídas com amigos, viagens, uma vida que não era a minha. Nem a casa que ambos tinhamos comprado com uma entrada choruda minha, eu devia ter! Afastou-me dos meus amigos. Os meus amigos passaram a ser os dele. Tinha sempre a casa cheia de gente. Enfim, aquela não era eu. Não sei o que me passou pela cabeça para me dexar manipular daquela maneira. Penso, agora, que devia mesmo estar muito doente. Eu era uma pessoa muito depressiva. Tinha depressões ciclicas porque tenho uma deficiência de produção de serotonina no cérebro e isso faz com que no inverno e outono tenha que, por vezes tomar 1 antidepressivo - paroxetina- 1 comprimido por dia. Mas naquele tempo eu andava sempre deprimida.
Quando pedi o divórcio ele bateu-me, gritou comigo, tive que sair da minha casa, ir para casa dos meus pais. Todo o meu ordenado naquele tempo, ia para pagar a casa onde ele estava. Não chegava a ver a côr do dinheiro que ganhava. Não me dava um tostão para a nossa filha. Mesmo assim, nunca disse mal do pai à minha bonequinha. E ela esteve com ele sempre que foi possivel. Não era por causa de um anormal como ele que a miúda ia ficar traumatizada.
Para me dar o divórcio ainda demorou mais de um ano.
Mesmo depois de estarmos separados ainda foi um dia fazer um escandalo à porta do ginásio onde eu andava havia anos. Tudo por causa da venda do meu carro. Ele ia ficar com o dinheiro e eu só lhe pedi que assinasse um papel a confirmar isso. Fazia estes escandalos à frente da pequenina.
Só deixou de fazer estas figuras quando o J. foi atrás dele com um martelo e lhe disse que lhe partia a cabeça ( cornos) se ele voltasse a ter este tipo de comportamento comigo e à frente da pequena.
Quando conheci o J. , demorei algum tempo a convencê-lo de que eu, era a mulher da vida dele. Só consegui que ele vi-se isso quando lhe comecei a dar um desprezo monstro. Os homens realmente...são seres muito estranhos. Quanto mais eu me fazia dificil, mais interessado ele estava.
Hoje estamos muito felizes, temos um puto lindo e terrivel ( sai a mim, claro). O meu maridinho é a criatura mais desarrumada e preguiçosa à face da terra. Mas como temos empregada, tásse bem! Acabaram-se as visitas constantes em casa (uuufff que alivio!), as viagens, a vida sem regras. Temos passado momentos dificeis em termos de dinheiro porque nunca consegui vender a puta da casa e a euribor leva-me tudo. Graças a Deus que está a descer! Férias fora de casa? Há anos que não sei o que isso é! Mas é incrivel como sou tão mais feliz sem dinheiro! E depressões?! Há já algum tempo que não sei o que isso é. Por vezes tenho que tomar o tal comprimido e tive uma pós parto. Mas nunca mais fui tão infeliz !
E porque é que me lembrei disto hoje? Porque ontem vi uma amiga que já não via há 10 anos. Ela está muito doente, com uma grande depressão. E pensei imediatamente em mim há pouco menos de 5 anos atrás.
Afinal o amor cura mesmo quase tudo.
E o meu ex marido casou com uma brazuca que conheceu pela net. Graças a Deus né?!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

REALIDADE ALTERNATIVA

Às vezes quando estou quase a adormecer, no limbo, e desperto de repente por qualquer razão, fico com a sensação de que estava a entrar noutra vida minha.É assim tipo, algo familiar, demasiado familiar, como que a continuação de uma coisa inacabada.
Nunca vos acontenceu?
Será que quando estamos a dormir a nossa alma encarna noutra pessoa que estava até então adormecida e que ao acordar também ela se lembra de alguma coisa, que também acha vagamente familiar?
Será que os nossos espiritos se dividem e formam outras pessoas quando estamos a dormir. E mesmo quando estamos acordados?
E será...que estou a ficar doida?