quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

AMIGOS AMIGOS

Quando tinha 28 anos conheci alguém que se viria a revelar uma das maiores desilusões da minha vida, senão a maior. Para uma mulher, ser desiludida por um homem, é algo que, mesmo que intimamente, já esperamos. Já por uma amiga....é algo doloroso, muito doloroso. E é disso que estou a falar. A L. era tipo, a minha irmã. A gaja que todas queremos ter como amigas. Saíamos juntas vezes sem conta. Eu contava-lhe a minha vida, ela, a dela. Apoiei-a muitas vezes, ofereci-lhe a minha casa, a minha familia, porque os pais dela eram testemunhas de Jeová e não apoiavam o modo de vida que levava. A Leila foi uma rapariga que, digamos, começou a viver muito tarde. Aos 27 anos foi viver sozinha e perdeu a virgindade com alguém que a viria a trocar pela melhor amiga. Começou a fumar aos 30 anos numa passagem de ano em que, também curtiu com dois gajos na mesma noite e acabou na cama com um! Muito nos rimos nos meses seguintes a recordar essa passagem de ano. Ela só reparou nos dentes podres do primeiro gajo quando recuperou da bebedeira que tinha. Quando se deu conta do hálito horrivel da criatura, deu-lhe imediatamente com os pés e saiu em busca de nova conquista. Cada vez que saíamos à noite, se conheciamos alguém, acabava na cama com ele. Negava sempre, mas mais tarde acabava por se descair numa conversa qualquer. Era muito, muito divertida!
Com o passar do tempo foi ficando cada vez mais carente. Eu casei, outras amigas também, mas mantivemos sempre o contacto umas com as outras. Foi viver com um traste dum homem que a tratava mal. Otária, comprou-lhe um carro, apesar dos nossos conselhos para não fazer tal loucura. Mais tarde veio a descobrir que a traia. Ele saiu de casa e ela ficou a pagar o carro durante ainda 2 anos.
Passado pouco tempo foi viver com outro gajo. E foi nesta altura que tudo aconteceu. A primeira desilusão que tive , foi quando lhe pedi ajuda para o meu irmão (ela é advogada) . Ele não quiz ajuda de borla e fez questão de lhe pagar. Passou-lhe um cheque que ela levantou sem nunca ter feito absolutamente nada para lhe resolver o problema. Ele teve que procurar outra advogada.
Foi uma fase horrivelda estória da minha vida; o meu divórcio. Os meus pais diziam que se eu saísse de casa não me queriam em casa deles. Era uma vergonha para a familia! Um divórcio, que horror! Eu tentava aguentar até não poder mais. A L.dizia; "vem para minha casa. Já falei com o Paulo ele não se importa. És bem vinda. " Recusei sempre. Ainda tinha esperança de obter o apoio dos meus pais. Mas chegou a uma fase em que se tornou impossivel de aguentar. Comecei a levar tareia. Aí resolvi aceitar. E foi então que....enfim...
Fui para casa dela. Ora o que é que eu esperava ? É obvio que não esperava ser acolhida por tempo indeterminado. Mas esperava que me acolhece, pelo menos até os meus pais cairem em si e me quererem com eles. O que certamente não seria por numa semana que iria acontecer. Mas foi o que a ouvi dizer ao namorado quando cheguei. Que eu ia ficar com eles durante uma semana. Enfim, pensei que teria que dar a volta aos meus pais rapidamente senão ficava na rua. Para a minha casa não podia voltar senão o Ogre espancava-me. Nessa altura eu trabalhava, e de seguida ainda ia dar aulas de Ingles a duas alunas. Nos restantes dias que sobravam ia ao ginasio. Ora bem; ela começou a dizer que eu saia de manhã cedo e só chegava muito tarde, tipo 10 da noite. Que nem jantava com eles e que o Paulo já dizia que eu devia ter outro gajo na minha vida. E ela achava que não estava certo, estar a dar-me guarida para depois o meu marido lhe ir pedir contas por estar a encobrir um adulterio! Fonix! Até me passei! Fui para casa dela numa segunda feira. Na sexta estava de saída. O Paulo tinha ido para fora na quinta feira e tivemos uma conversa. Ela disse-me que de certeza que eu tinha alguém ( não tinha!) e que era vergonhosa a forma como eu não conseguia ficar nem um mês sem sexo! Ela, L, tinha ficado um ano sem sexo antes de conhecer o Paulo! Meus senhores, nem lhe respondi, tal foi a minha surpresa perante aquela declaração. Nem que fosse verdade ela tinha o direito de me condenar! E não era, pois eu sabia através de amigos comuns que ela passava a vida na net e se fartava de sair com gajos. Ah e disse-me que o Paulo não me queria mais lá em casa! Pois como é obvio, saí de casa dela e, graças a Deus, os meus pais acolheram-me. Tive a sorte de o meu irmão ter vindo a Lisboa nessa altura e estar em casa deles. Deu-lhes a volta antes de eu chegar. Ainda levei na cabeça por ter ido para casa de alguém que não me era nada. E a verdade é que não me era mesmo nada, por muito que me custe admitir. A ultima vez que a vi foi quando me encontrei com ela para me devolver um casaco que tinha esquecido lá em casa. Nunca mais a vi. Já lá vão quase 7 anos. Por vezes, quando vejo fotos dos anos em que fomos amigas, tenho saudades e penso, como foi possivel?