sexta-feira, 16 de março de 2012

A MINHA TIA EMILIA

Há muitos, muitos anos...talvez uns 30, tinha uma tia muito velha vinda do Alentejo, que vivia na Brandoa. A Brandoa era, na altura, local  de construções clandestinas vitima do exodo rural..

A velha senhora vivia, na quase civilização que a Brandoa oferecia, pois  tinha mercearias bem recheadas, farmácias, posto médico, um mercado e camionetas que a levavam até Lisboa, Mas a tia Emilia continuava a sua vida como se estivesse, ainda, na vila de Colos ( Baixo Alentejo, quase Algarve). A filha, minha madrinha, vivia com ela, a prima; minha mãe, vivia a 300 metros, e metade da juventude de Colense, havia-se mudado para a Brandoa. Vá lá entender-se porquê. Vivia-se  o pós 25 de Abril. Sentia-se o fervilhar das ideias na cabeça das pessoas, mas havia, ainda, uma certa renitência em as pôr em pratica.  Resquícios do antigo regime. E  nem sempre o que ia na cabeça das pessoas eram coisas bonitas.

Tia Emilia,  velha de 70 e muitos anos, desdentada, buço, lencinho na cabeça, costas arqueadas, bengala de madeira e fado no olhar, teve um dia, uma bela surpresa.

Estava sentadinha no sofá quando o telefone ( maquina dos infernos! ) toca.

- Está lá - grita
- Estou sim -  respondem do outro lado
- Quem fala? - pergunta
- Daqui fala o homem da pixa gorda
- É o quei? - Pergunta  a velha aos  gritos, não acreditando nos seus ouvidos
- Daqui fala o homem da pixa gorda -  Repete o fulano do outro lado
- Ah filho dum cabrão! - tia Emilia aos gritos -  É só isso que t'engorda filho dum cabrão?

Este episódio runs in the familly

Forever and ever.


1 comentário:

Fernando Salzedas disse...
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