quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O CASO DA RECEPCIONISTA ATRÁS DOS CORTINADOS


Decididamente sou mesmo daquelas pessoas a quem tudo acontece.
Podem existir pessoas que passam pela vida pacificamente sem que nada lhes aconteça de extraordinário. Outras há que têm uma vida deveras emocionante, porque assim o escolheram e outras ainda que, mesmo ficando quietas, a vida encarrega-se de lhes encher os dias de emoção. Pertenço a este terceiro grupo.
Quem tiver duvidas pode ler este blog desde o inicio.

E continua…

Este ultimo capitulo começa com a minha ida a Cabo Verde para dar inicio  a um projecto entre a minha empresa recém formada e um operador turístico cabo verdiano fornecedor de serviços no terreno. Uma ideia concebida por mim e um colega da área. Ambos convidámos este operador turístico para ser nosso fornecedor.

Logo para começar, o dono do operador, Mr. A,  havia dito que eu iria ficar numa casa vazia na ilha do sal, pertença de um dos sócios dele. Qual o meu espanto quando, ao chegar, vejo que afinal ele mesmo, iria ficar no mesmo apartamento que eu….huuummm. Ou seja, passei os  3 dias que estive no Sal, a fugir do assedio do gajo. Dormi com a porta fechada à chave, vestida e fingi não entender as indirectas.  Enfim, manobras de diversão.

Quando finalmente voei do Sal para a Praia, ia extremamente feliz, pois ia ficar num hotel. Um quarto só para mim. Poderia dormir nua se me apetecesse! 
Pois bem, à chegada, fiz o check in e levei as malas para o quarto.
Mr. A, convidou-me para jantar mas recusei gentilmente dizendo que não tinha fome. Assim que ele basou, perguntei à recepcionista a que horas fechava o restaurante e se já tinha fechado. Ela disse que ainda estava aberto mas era melhor eu ir já. Fui. Comprei uma sandes e um sumo e voltei a subir. 

Quando cheguei vi que tinha deixado a porta encostada. Entrei. Enquanto tentava fechar a porta falava sozinha:

“ Uau, finalmente só! Nem acredito! Um quarto só para mim! Fonix esta merda de porta não fecha! Raios parta isto!” 

Nessa altura comecei a sentir algo estranho nas minhas costas. Como se alguém me observasse. Então, fui em direcção à varanda e, quando tentava abrir a porta da mesma, toco numa coisa. Numa coisa não! Em alguém! Atrás dos cortinados estava a recepcionista. Dei um grito e um pulo para trás:
“ O que raio esta você a fazer aqui ? Atrás dos cortinados?”
“ Já jantou? Tão rápido? Tava só a ver se o comando da televisão funcionava”
“ Atrás dos cortinados? Ponha-se daqui pra fora! E NUNCA mais faça isto”
A gaja saiu e eu…nem queria acreditar! Fonix!!!
Nessa noite dormi com a mesa de cabeceira encostada à porta do quarto.

No dia seguinte fiz queixa dela ao director do hotel que a despediu.

Ah poize, senhores ouvintes!

Nos dias seguintes dormi com a mesa de cabeceira encostada a porta. Não fosse sofrer represálias dos colegas.

Enfim…

Estarei condenada a viver neste stress constante?
Agora estou em Cabo Verde de novo.
Até hoje…tudo normal.

E não!Eu não me ponho a jeito!

Normal é ficar num hotel quando se viaja, certo?
Anormal é uma recepcionista esconder-se atrás dos cortinados para nos roubar.
Não teve tempo para roubar nada.
Num país que vive do turismo, única industria que tem, normal seria que os funcionários da hotelaria tivessem formação.
Right?