domingo, 9 de novembro de 2014

ÔLHA !

Há alguns anos atrás eu tinha um tio algo peculiar.


Sempre o conheci esquisito. Mas quem sou eu para falar de esquisitices? :-) Pobre  homem...um dia ainda conto aqui o que lhe fiz quando tinha apenas 2 anos.


Digamos que o Ti Jaquim era a pessoa que eu e o meu irmão usávamos quando queríamos que  o outro visualizasse algo nojento,  quando nos queríamos enojar um ao outro. Ex; " lesmas, caracóis, o tio a comer"...Coisa para provocar  repetidas regurgitações no outro.


A pobre criatura comia de boca aberta. Via-se todo o bolo alimentar na sua boca desdentada. Lambia os beiços com aquela lingua grossa de ancião ..arghhhh vómito.


A estória seguinte aconteceu numas férias de verão  na bela vila de Colos, a mais ou menos 30 km de Vila Nova de Mil Fontes.


O  Ti Jaquim vivia com a nossa avó, velha reguila de sangue ruim (citação da população da aldeia), sangue este que me corre nas veias, para meu grande orgulho.   Eu "dormia" no sofá da sala, com ela,  que ressonava a noite  toda.  O meu irmão num quarto com duas  camas separadas por uma cortina, em que numa dormia o meu tio.


O pobre velho sofria de uma disfunção urinaria e o seu adormecer era um pequeno inferno que abrangia as redondezas.  E as redondezas neste caso, chegavam ao outro lado da cortina, onde o meu irmão rugia de raiva do velho. Uma noite,  já farto uivava a jovem criatura;


- Épa deite -se! Foda -se o cabrão do velho que não dorme.


E o Ti Jaquim pegava no penico e mijava e deitava-se e  levantava se de novo para mijar.


Ninguém aguenta!

- Ai a minha vida ai! Filho da puta  do velho - Gemia o meu irmão


Isto durou, durou...


Às tantas o puto  já virado do avesso solta um sonoro gás que o Ti Jaquim, apesar, de um pouco surdo, consegue ouvir - E eis que o pobre velho, com as ceroulas presas numa  mão,  costas arqueadas, enquanto com a outra tentava enfiar o penico cheio da sua ultima proeza urinária debaixo da cama, pára de repente e com ar surpreso exclama : "Ôlha"

"Ôlha" pronto! Como quem diz " já um homem não tem tento no próprio cu"

A questão que se põe é: terá o Ti Jaquim, pensado que o gás sonoro saíra de dentro de si?

Ficou, então até hoje esta expressão de surpresa neste mesmo tom, quando algo insperado nos acontece: "Ôlha!"

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